Kassab25Notícias, análises e guias
Cidade

90 anos de Congonhas: como o aeroporto moldou a zona sul de São Paulo

6 de outubro de 2026 · 4 min de leitura
Alça de acesso rodoviária vista de cima, com legenda indicando a via Mário Covas

Em 12 de abril de 1936, São Paulo inaugurava oficialmente um campo de aviação num ponto ermo ao sul da cidade, cercado de chácaras e terrenos vazios. Noventa anos depois, completados em abril de 2026, o Aeroporto de Congonhas está cercado por prédios, avenidas congestionadas e bairros inteiros que cresceram à sua volta. Contar a história do aeroporto de Congonhas é, em boa parte, contar como a zona sul paulistana foi ocupada.

Um aeroporto que nasceu por causa das enchentes

Até os anos 1930, a aviação da capital dependia do Campo de Marte, na zona norte, às margens do Rio Tietê. O problema eram as cheias do rio, que alagavam a pista com frequência. Em 1934, uma enchente fechou o Campo de Marte por meses, e os voos passaram a usar em caráter provisório o campo que vinha sendo aberto na região de Vila Congonhas, num planalto mais alto e livre das inundações.

O local ficava longe do centro, numa área com pouca gente. O nome veio do bairro, que por sua vez homenageia o Visconde de Congonhas do Campo, primeiro presidente da província de São Paulo depois da Independência. No começo, a estrutura era mínima: uma pista de terra batida e instalações simples. A inauguração oficial, em abril de 1936, consolidou o campo como o principal aeroporto da cidade.

Como o aeroporto puxou a ocupação da zona sul

O aeroporto chegou antes da cidade. Com ele vieram vias de acesso, linhas de ônibus e, sobretudo, a valorização dos terrenos próximos. Bairros como Campo Belo, Jabaquara, Moema, Planalto Paulista e Vila Congonhas se adensaram nas décadas seguintes, primeiro com casas e depois com edifícios residenciais e comerciais.

Alguns efeitos dessa convivência continuam visíveis:

O debate sobre operar dentro da cidade

Com a cidade engolindo o aeroporto, a discussão sobre os limites de Congonhas ganhou força. A pista relativamente curta, cercada de avenidas e casas, deixa pouca margem para erros. Dois acidentes marcaram a memória paulistana: a queda de um avião logo após a decolagem, em outubro de 1996, sobre casas do Jabaquara, e o acidente de julho de 2007, quando um avião não conseguiu parar ao pousar sob chuva, atravessou a Avenida Washington Luís e atingiu um prédio de cargas, com 199 mortos.

Depois de 2007, a operação passou por mudanças: reforma da pista com ranhuras para escoar água, transferência de parte dos voos para Guarulhos e controle mais rígido do número de pousos e decolagens por hora. O debate, porém, nunca se encerrou. De um lado, Congonhas oferece acesso rápido ao centro expandido e é peça importante da ponte aérea com o Rio de Janeiro. De outro, a operação dentro da malha urbana impõe riscos e restrições permanentes ao entorno.

Congonhas aos 90 anos

O aeroporto entrou na nona década com gestão privada, depois de concedido pelo governo federal, e com obras de modernização do terminal e do pátio. Na mobilidade, a expectativa gira em torno de uma ligação sobre trilhos com a rede de metrô, antiga reivindicação de quem chega ou sai do terminal sem carro.

Para a zona sul, o balanço de nove décadas é ambíguo. O aeroporto ajudou a urbanizar uma região inteira, gerou empregos e valorizou bairros. Ao mesmo tempo, fixou limites ao crescimento, trouxe ruído e exige atenção constante à segurança. Poucos equipamentos urbanos moldaram tanto o desenho de uma parte de São Paulo.

Perguntas rápidas

Quando o Aeroporto de Congonhas foi inaugurado?

A inauguração oficial foi em 12 de abril de 1936. O campo, porém, já recebia voos desde 1934, quando uma enchente do Rio Tietê fechou o Campo de Marte.

Por que o aeroporto se chama Congonhas?

O nome vem do bairro de Vila Congonhas, que homenageia o Visconde de Congonhas do Campo, primeiro presidente da província de São Paulo após a Independência.

Por que há limite de altura para prédios perto de Congonhas?

As normas de proteção de aeródromos criam superfícies imaginárias em torno das pistas e das rotas de aproximação. Construções que ultrapassem esses limites podem interferir nos pousos e decolagens.

Resumo