
A bicicleta cumpre melhor o seu papel na cidade quando se integra ao sistema municipal de transporte, e não quando é tratada como opção isolada. Conectar a rota cicloviária a ponto de ônibus, estação de trem e terminal, com bicicletário e regras de embarque, transforma a bicicleta na solução do primeiro e do último trecho do deslocamento, aquele que o transporte coletivo raramente cobre bem.
O transporte coletivo é eficiente no percurso principal, mas quase sempre deixa uma lacuna: a distância entre a casa e o ponto de embarque, e entre o desembarque e o destino final. Esse trecho, curto demais para justificar outra viagem de ônibus e longo demais para a caminhada confortável, é onde a bicicleta se encaixa perfeitamente. Integrar os dois modais resolve justamente essa costura, tornando o deslocamento completo mais rápido do que o carro em muitos casos.
Para a bicicleta se somar ao sistema, a cidade precisa de infraestrutura de conexão. Os elementos mais comuns:
Sem esses elementos, o ciclista até pedala, mas não consegue combinar a bicicleta com o ônibus ou o trem, e a integração fica só no papel.
De nada adianta pedalar até a estação se não há onde guardar a bicicleta com segurança. O bicicletário, mais do que um estacionamento, é a peça que viabiliza a integração: o usuário deixa a bicicleta protegida, segue de trem ou ônibus e a recupera na volta. Onde o bicicletário é insuficiente ou inseguro, o medo de furto desestimula todo o modelo, e a bicicleta deixa de ser combinada com o transporte coletivo.
Outra forma de integração é permitir o embarque da bicicleta dentro do ônibus ou do trem, o que estende o alcance do ciclista para além do trecho pedalado. Isso costuma exigir regra sobre horário permitido, para não conflitar com o pico de lotação, e sobre espaço reservado. Bem regulada, essa possibilidade amplia bastante a autonomia de quem usa a bicicleta como parte de um trajeto mais longo.
A integração entre bicicleta e transporte coletivo gera ganho que vai além do ciclista individual:
O transporte cicloviário rende muito mais quando pensado como parte do sistema municipal, e não como rede paralela. Conectar ciclovia, bicicletário e transporte coletivo resolve o trecho que o ônibus e o trem não cobrem bem e amplia o alcance de cada estação. A integração, mais do que a quantidade de ciclovia isolada, é o que faz a bicicleta virar transporte de verdade na cidade.
Porque a bicicleta resolve o primeiro e o último trecho do deslocamento, a distância entre a casa e o ponto de embarque, que o ônibus e o trem não cobrem bem. A integração completa o trajeto.
Bicicletário seguro nas estações e rota que chegue de fato aos pontos de embarque. Sem lugar seguro para guardar a bicicleta, o medo de furto desestimula todo o modelo, mesmo com ciclovia disponível.
Depende da regra de cada cidade. Onde é permitido, costuma haver restrição de horário para não coincidir com o pico de lotação. Bem regulado, isso amplia bastante o alcance de quem usa a bicicleta.