
Um transmissor de pressão que desvia meio por cento pode passar despercebido por meses, até que uma malha de controle começa a oscilar ou um intertravamento atua fora de hora. A calibração de transmissor de pressão existe para evitar esse tipo de surpresa: compara a leitura do instrumento com um padrão de referência, registra o erro encontrado e, quando necessário, ajusta o equipamento. O roteiro abaixo cobre o procedimento em bancada ou em campo para transmissores de 4 a 20 mA, os mais comuns na indústria paulista.
A qualidade da calibração depende mais da preparação do que do ajuste em si. Antes de tocar no instrumento, reúna:
Em campo, a liberação do serviço vem primeiro. O instrumento pode estar ligado a uma malha de controle ou de segurança, então a operação precisa colocar a malha em manual ou em bypass. Depois, feche as válvulas do manifold, equalize e despressurize com cuidado, respeitando o fluido do processo.
A primeira medição é feita antes de qualquer ajuste. É o chamado registro "como encontrado", que mostra o estado real do instrumento em serviço.
Se todos os erros estiverem dentro da tolerância, o instrumento é aprovado sem ajuste e o registro "como encontrado" vale também como "como deixado".
Quando algum ponto fica fora da tolerância, entra o ajuste. Em transmissores analógicos, ele é feito nos parafusos de zero e span; em modelos inteligentes, pelo comunicador.
Nos analógicos, zero e span interagem, então repita os dois até que se estabilizem. Depois do ajuste, refaça os cinco pontos de subida e descida para gerar o registro "como deixado".
A calibração só tem valor se ficar documentada. O relatório ou certificado deve trazer a identificação do instrumento (tag, fabricante, modelo e número de série), a faixa calibrada, o padrão usado com número e validade do certificado, as condições ambientais, as tabelas "como encontrado" e "como deixado", o resultado e a assinatura do responsável.
Guarde também o histórico. Comparar calibrações sucessivas mostra a deriva do instrumento e ajuda a definir o intervalo ideal: quem desvia pouco pode ter o período estendido, quem sai sempre da tolerância merece investigação ou troca. Antes de devolver o transmissor à operação, abra as válvulas do manifold na sequência correta e confirme que a leitura em processo está coerente.
Não há um intervalo único. Ele depende da criticidade da malha, da recomendação do fabricante, das exigências do sistema de qualidade e do histórico de deriva do próprio instrumento.
Calibrar é comparar a leitura com um padrão e registrar o erro. Ajustar é intervir no instrumento para reduzir esse erro, o que só é feito quando a calibração mostra desvio fora da tolerância.
Porque alguns sensores respondem de forma diferente conforme a pressão aumenta ou diminui. A comparação entre os dois sentidos revela a histerese do instrumento.