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Grandes obras de São Paulo em 2026: o que já foi entregue e o que segue em execução

13 de setembro de 2026 · 5 min de leitura
Avenida com comércio ao lado e legenda sobre adequação de dispositivo viário

O ano de 2026 tem sido de fitas cortadas e de canteiros abertos ao mesmo tempo no estado de São Paulo. Projetos que se arrastavam havia mais de uma década chegaram, enfim, à fase de operação, enquanto outros deram os primeiros passos ou entraram na reta intermediária. O balanço abaixo percorre as grandes obras de São Paulo conduzidas pelo governo estadual e por concessionárias, com o modelo de contratação, o valor divulgado e o estágio de cada uma até outubro.

O que já foi entregue

Linha 17-Ouro (monotrilho). Obra pública do Metrô, com 6,7 km e 8 estações elevadas ligando o Aeroporto de Congonhas às linhas 5-Lilás e 9-Esmeralda. Iniciada em 2011 e prometida originalmente para a Copa de 2014, foi inaugurada em 31 de março de 2026, em operação assistida e com horário reduzido. O governo já anunciou uma expansão de 4,6 km e quatro estações, até Paraisópolis.

Linha 6-Laranja do Metrô. Parceria público-privada de R$ 19,1 bilhões, a cargo da concessionária LinhaUni. A linha terá 15,3 km e 15 estações entre Brasilândia e São Joaquim. As seis primeiras, de João Paulo I a Perdizes, abriram em 2 de julho de 2026 em operação assistida. O cronograma divulgado previa Brasilândia e Itaberaba para outubro e o trecho até São Joaquim para 2027.

Rodoanel Norte, trecho Dutra–Fernão Dias. Parada entre 2018 e 2023, a obra passou à concessionária Via SP Serra, do Grupo Via Appia, com compromisso de investir cerca de R$ 3 bilhões. O trecho de 24 km, com 70 pontes e viadutos e 4 túneis, está em operação desde 23 de dezembro de 2025. O segmento final, até a Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, tinha 68% das obras em junho de 2026, com entrega prometida para o segundo semestre, quando o anel de cerca de 176 km estará fechado.

O que segue em execução

Trem Intercidades Eixo Norte (TIC). PPP de 30 anos e R$ 14,2 bilhões, com a C2 Mobilidade sobre Trilhos. O expresso vai ligar São Paulo a Campinas em 64 minutos. As obras começaram em 27 de março de 2026, entre Campinas e Jundiaí; o trem Jundiaí–Campinas está previsto para 2029 e o expresso, para 2031.

Linha 2-Verde, de Vila Prudente à Penha. Obra pública do Metrô que acrescenta 8,4 km e 8 estações à linha, que passará a ser a mais longa do sistema. O avanço era de 55,1% em 2025, e três estações já tinham cerca de 90% das obras civis em janeiro de 2026. A entrega até a Penha está prevista para 2028.

Túnel imerso Santos–Guarujá. PPP de 30 anos, com a Mota-Engil, avaliada em R$ 6,8 bilhões pela Secretaria de Parcerias em Investimentos. O contrato foi assinado em 28 de janeiro de 2026, e o ano é dedicado a projetos, licenças e desapropriações. Será o primeiro túnel imerso do país, com operação prevista para 2031.

BRT-ABC. Concessão estadual à Next Mobilidade para um corredor de ônibus elétricos entre São Bernardo, Santo André, São Caetano e a capital. Os 10 km da primeira fase, com 9 paradas, estão prontos, mas em setembro de 2026 a operação ainda dependia de autorização da Artesp, que no dia 23 negou um pedido de reequilíbrio da concessionária.

Universalização do saneamento pela Sabesp. Depois da desestatização de 2024, a empresa investiu R$ 15,2 bilhões em 2025 e prevê R$ 20 bilhões para 2026. O contrato fixa a universalização em 2028 no interior e em 2029 na Região Metropolitana.

Complexo Viário do Alto Tietê. Parceria do Governo de SP com a concessionária SPMAR, que administra os trechos Sul e Leste do Rodoanel, com investimento anunciado de R$ 1,2 bilhão. As obras em Poá e Suzano criam novos acessos ao Rodoanel, e cerca de 25 mil veículos por dia devem entrar em Poá pela nova estrutura. A conclusão está prevista para o fim de 2027.

Como ler esses números

Somar os valores da lista e fazer um ranking seria tentador, mas enganoso. Há obras públicas pagas com orçamento, parcerias com aporte do Estado e investimentos privados que serão recuperados ao longo de décadas de contrato, e cada valor foi calculado numa base de preços diferente. O que as obras têm em comum é outra coisa: todas mudam a forma como a população se desloca ou recebe um serviço básico, e todas dependem de fiscalização contínua para cumprir prazo.

Para 2027, os marcos a acompanhar são a chegada da Linha 6 a São Joaquim, o avanço físico do TIC entre Campinas e Jundiaí, o início efetivo do canteiro do túnel em Santos e a definição sobre a operação do BRT-ABC. Nos próximos balanços, a pergunta de sempre continua valendo: o que foi prometido, o que foi entregue e o que mudou para quem usa.

Perguntas rápidas

Quais grandes obras de São Paulo foram inauguradas em 2026?

A Linha 17-Ouro, em março, e as seis primeiras estações da Linha 6-Laranja, em julho. O trecho Dutra–Fernão Dias do Rodoanel Norte entrou em operação no fim de dezembro de 2025.

Por que o BRT-ABC ainda não opera se a primeira fase está pronta?

Porque o início da operação depende de autorização da Artesp, a agência que regula os transportes concedidos pelo Estado. Até setembro de 2026, essa autorização não tinha sido dada.

Os valores das obras podem ser comparados entre si?

Não diretamente. Cada projeto tem um regime de contratação e uma base de preços própria, e alguns valores incluem décadas de operação e manutenção pela concessionária.

Resumo