
O ano de 2026 tem sido de fitas cortadas e de canteiros abertos ao mesmo tempo no estado de São Paulo. Projetos que se arrastavam havia mais de uma década chegaram, enfim, à fase de operação, enquanto outros deram os primeiros passos ou entraram na reta intermediária. O balanço abaixo percorre as grandes obras de São Paulo conduzidas pelo governo estadual e por concessionárias, com o modelo de contratação, o valor divulgado e o estágio de cada uma até outubro.
Linha 17-Ouro (monotrilho). Obra pública do Metrô, com 6,7 km e 8 estações elevadas ligando o Aeroporto de Congonhas às linhas 5-Lilás e 9-Esmeralda. Iniciada em 2011 e prometida originalmente para a Copa de 2014, foi inaugurada em 31 de março de 2026, em operação assistida e com horário reduzido. O governo já anunciou uma expansão de 4,6 km e quatro estações, até Paraisópolis.
Linha 6-Laranja do Metrô. Parceria público-privada de R$ 19,1 bilhões, a cargo da concessionária LinhaUni. A linha terá 15,3 km e 15 estações entre Brasilândia e São Joaquim. As seis primeiras, de João Paulo I a Perdizes, abriram em 2 de julho de 2026 em operação assistida. O cronograma divulgado previa Brasilândia e Itaberaba para outubro e o trecho até São Joaquim para 2027.
Rodoanel Norte, trecho Dutra–Fernão Dias. Parada entre 2018 e 2023, a obra passou à concessionária Via SP Serra, do Grupo Via Appia, com compromisso de investir cerca de R$ 3 bilhões. O trecho de 24 km, com 70 pontes e viadutos e 4 túneis, está em operação desde 23 de dezembro de 2025. O segmento final, até a Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, tinha 68% das obras em junho de 2026, com entrega prometida para o segundo semestre, quando o anel de cerca de 176 km estará fechado.
Trem Intercidades Eixo Norte (TIC). PPP de 30 anos e R$ 14,2 bilhões, com a C2 Mobilidade sobre Trilhos. O expresso vai ligar São Paulo a Campinas em 64 minutos. As obras começaram em 27 de março de 2026, entre Campinas e Jundiaí; o trem Jundiaí–Campinas está previsto para 2029 e o expresso, para 2031.
Linha 2-Verde, de Vila Prudente à Penha. Obra pública do Metrô que acrescenta 8,4 km e 8 estações à linha, que passará a ser a mais longa do sistema. O avanço era de 55,1% em 2025, e três estações já tinham cerca de 90% das obras civis em janeiro de 2026. A entrega até a Penha está prevista para 2028.
Túnel imerso Santos–Guarujá. PPP de 30 anos, com a Mota-Engil, avaliada em R$ 6,8 bilhões pela Secretaria de Parcerias em Investimentos. O contrato foi assinado em 28 de janeiro de 2026, e o ano é dedicado a projetos, licenças e desapropriações. Será o primeiro túnel imerso do país, com operação prevista para 2031.
BRT-ABC. Concessão estadual à Next Mobilidade para um corredor de ônibus elétricos entre São Bernardo, Santo André, São Caetano e a capital. Os 10 km da primeira fase, com 9 paradas, estão prontos, mas em setembro de 2026 a operação ainda dependia de autorização da Artesp, que no dia 23 negou um pedido de reequilíbrio da concessionária.
Universalização do saneamento pela Sabesp. Depois da desestatização de 2024, a empresa investiu R$ 15,2 bilhões em 2025 e prevê R$ 20 bilhões para 2026. O contrato fixa a universalização em 2028 no interior e em 2029 na Região Metropolitana.
Complexo Viário do Alto Tietê. Parceria do Governo de SP com a concessionária SPMAR, que administra os trechos Sul e Leste do Rodoanel, com investimento anunciado de R$ 1,2 bilhão. As obras em Poá e Suzano criam novos acessos ao Rodoanel, e cerca de 25 mil veículos por dia devem entrar em Poá pela nova estrutura. A conclusão está prevista para o fim de 2027.
Somar os valores da lista e fazer um ranking seria tentador, mas enganoso. Há obras públicas pagas com orçamento, parcerias com aporte do Estado e investimentos privados que serão recuperados ao longo de décadas de contrato, e cada valor foi calculado numa base de preços diferente. O que as obras têm em comum é outra coisa: todas mudam a forma como a população se desloca ou recebe um serviço básico, e todas dependem de fiscalização contínua para cumprir prazo.
Para 2027, os marcos a acompanhar são a chegada da Linha 6 a São Joaquim, o avanço físico do TIC entre Campinas e Jundiaí, o início efetivo do canteiro do túnel em Santos e a definição sobre a operação do BRT-ABC. Nos próximos balanços, a pergunta de sempre continua valendo: o que foi prometido, o que foi entregue e o que mudou para quem usa.
A Linha 17-Ouro, em março, e as seis primeiras estações da Linha 6-Laranja, em julho. O trecho Dutra–Fernão Dias do Rodoanel Norte entrou em operação no fim de dezembro de 2025.
Porque o início da operação depende de autorização da Artesp, a agência que regula os transportes concedidos pelo Estado. Até setembro de 2026, essa autorização não tinha sido dada.
Não diretamente. Cada projeto tem um regime de contratação e uma base de preços própria, e alguns valores incluem décadas de operação e manutenção pela concessionária.